Grupo contra armas nucleares acusa Japão de enfraquecer princípios históricos
Sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki criticam o governo do Japão por debater alterações à política pacifista e aos Três Princípios Não Nucleares. Lei
As crescentes discussões em torno da segurança nacional no Japão voltaram a colocar o país no centro de um intenso debate ético e geopolítico.
O Nihon Hidankyo, organização que reúne sobreviventes dos bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki e vencedora do Prémio Nobel da Paz,
acusou o atual executivo de tentar alterar e contornar os princípios fundamentais que regem a postura pacifista do país desde o pós-guerra.
O Peso dos Três Princípios Não Nucleares
A controvérsia gira em torno dos chamados Três Princípios Não Nucleares, adotados formalmente pelo Parlamento japonês em 1971.
Esta diretriz histórica proíbe o Estado nipónico de possuir, produzir ou permitir a entrada de armamento nuclear no seu território soberano.
Apesar de nunca terem sido integrados diretamente no texto constitucional, estes princípios funcionam como uma "linha vermelha"
inegociável para a sociedade japonesa e para as vítimas da tragédia atómica de 1945.
Debates "Sem Tabus" e Reações
A reação do Nihon Hidankyo surge na sequência de declarações de figuras do governo nomeadamente do ministro da Defesa,
Shinjiro Koizumi , que defenderam a necessidade de um debate de segurança "sem tabus" face à escalada de tensões na Ásia Oriental.
Para as associações de sobreviventes, estas posições representam uma guinada perigosa que ameaça desvirtuar a identidade pacifista do Japão.
O grupo criticou duramente o que considera ser uma tentativa de modificar compromissos históricos de segurança sem o devido escrutínio e debate público com a população.
Apelo Internacional
Em reação ao clima de incerteza, o Nihon Hidankyo aproveitou a ocasião para reiterar um apelo direto ao governo em vez de afrouxar os controlos tradicionais, o Japão deveria assinar e ratificar o Tratado sobre a Proibição de
Armas Nucleares (TPNW) promovido pelas Nações Unidas, consolidando assim o seu papel histórico como porta-estandarte global do desarmamento.

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