Presidente Daniel Chapo classifica poluição dos rios de Manica como desastre ambiental

 

Maputo, 19 de setembro de 2025 — Em uma coletiva realizada hoje em Manica, o Presidente Daniel Chapo classificou a poluição dos rios da província central como um desastre ambiental de alcance regional.

A declaração chega após anos de contaminação associada à mineração artesanal de ouro e ao uso de mercúrio e cianeto no processo de lavagem de areia, prática ainda presente em várias comunidades ribeirinhas.

Chapo afirmou que a situação representa uma ameaça direta à saúde de milhares de moradores que dependem das águas para consumo, higiene e pesca. “Não podemos fechar os olhos para este flagelo”, disse o presidente. 

“A poluição dos rios de Manica é uma crise que ultrapassa fronteiras locais e demanda uma resposta coordenada entre governo, governos locais, setor privado e a sociedade civil.”

Entre as medidas anunciadas, o governo propõe a criação imediata de um grupo de trabalho interministerial para monitoramento da qualidade da água, fiscalização mais rigorosa da mineração artesanal e a implementação de protocolos de descontaminação em pontos críticos.

Também está prevista a distribuição de água potável provisória às comunidades afetadas, bem como campanhas de informação sobre riscos à saúde associados ao consumo de água contaminada.

Especialistas em meio ambiente lembram que a contaminação por mercúrio e cianeto pode causar danos neurológicos, renais e cardiovasculares a longo prazo, especialmente em crianças e gestantes. 

“A gravidade é tal que requer resposta rápida e transparente”, afirmou uma representante de uma organização não governamental local, que participa do monitoramento independente da qualidade da água.

O governo promete investir em infraestruturas de saneamento, capacitar autoridades locais para realizar vistorias ambientais e apoiar projetos de transição para práticas de mineração mais seguras.

Também há planos para parcerias internacionais com foco em descontaminação de rios e recuperação de ecossistemas aquáticos.

As comunidades da região receberam a notícia com cautela, ressaltando a necessidade de envolvimento direto na implementação das medidas. Agricultores, pescadores e moradores relatam perdas recentes em safras e na produtividade pesqueira, agravando a vulnerabilidade econômica. 

Organizações locais apelam por transparência na alocação de recursos e por prazos claros para a resolução da crise.

Enquanto isso, autoridades provinciais destacam que as ações serão acompanhadas de perto por meio de relatórios periódicos, com metas de redução da poluição e melhoria na qualidade da água divulgadas à população. 

O tom geral é de urgência: salvar vidas, proteger ecossistemas e restaurar a confiança das comunidades na disponibilidade segura de água.

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