Guiné-Conacri vota para aprovar nova Constituição com participação de 6,7 milhões
Guiné-Conacri, 12 de dezembro de 2025 — Em uma votação que muitos analistas descrevem como histórica, a Guiné-Conacri realizou nesta quinta-feira a consulta popular sobre uma nova Constituição.
A disputa envolve aproximadamente 6,7 milhões de eleitores, que foram chamados a decidir, em plebiscito, se o país deve adotar o texto constitucional proposto.
Se aprovada, a Carta Magna pode abrir caminho para as primeiras eleições presidenciais e legislativas desde o golpe de Estado de 2021.
As urnas foram montadas em escolas, centros comunitários e pontos de distribuição nas áreas urbanas e rurais, sob vigilância de observadores nacionais e internacionais.
Autoridades eleitorais destacaram que o processo foi preparado para garantir transparência, com registros de voto, caderneta de identificação e mecanismos de fiscalização independentes.
Em muitos locais, as filas começaram cedo pela manhã, com moradores de diferentes faixas etárias chegando acostumados à ideia de participação cívica como marco de um retorno à normalidade.
“Este é um momento decisivo para o futuro do nosso país. A nova constituição busca estabelecer freios e contrapesos claros, fortalecendo a separação de poderes e protegendo direitos fundamentais”, afirmou Hawa Kone, professora de ciência política da capital Conacri, em entrevista realizada antes do início do pleito.
Representantes da sociedade civil também enfatizaram a importância de um processo pacífico e de resultados que reflitam a vontade da população, especialmente em um contexto pós-golpe.
Entre os pontos mais debatidos do texto estão a definição das competências do Executivo, a independência do poder judiciário, bem como a criação de mecanismos de responsabilização e de participação cidadã.
Analistas locais ressaltam que, caso seja aprovada, a nova constituição poderá estabelecer um calendário para eleições presidenciais e legislativas ainda neste ano, marcando uma etapa decisiva na trajetória política do país.
Observadores internacionais, incluindo missões de organizações regionais, destacaram a importância de assegurar um ambiente tranquilo para a votação e de evitar interferências.
Em nota conjunta, representantes das entidades de monitoramento ressaltaram que a qualidade do escrutínio terá impacto direto na legitimidade do processo e na confiança da população nas instituições.
No final da tarde, autoridades eleitorais anunciaram que a apuração está sendo conduzida de forma célere, com transporte seguro das cédulas para centros de contagem sob supervisão de equipes independentes.
Embora haja apoio significativo à nova constituição entre muitos eleitores, parte da oposição expressou ceticismo quanto a eventuais irregularidades e pediu resultados transparentes e verificáveis.
O resultado oficial deverá ser divulgado nas próximas horas, com cenários que variam desde a aprovação total do texto até margens de rejeição que poderiam abrir espaço para negociações políticas adicionais.
Enquanto isso, a população aguarda o desfecho que poderá determinar o rumo institucional do país
pelas próximas décadas.
